sábado, 26 de abril de 2008

POESIAS / LETRAS DE MÚSICAS (ROSE SERRA)

O Que Sinto por Você
É vento de litoral
É mar de maré cheia
É sol de verão
Lua cheia de mistérios
É fogo de fogueira de São João
É lava de vulcão (Refrão)

O que sinto por você
É vento de litoral
Barulhento e ligeiro
Cantando teu nome
O tempo inteiro

O que sinto por você
É mar de maré cheia
Cobrindo a areia
Esfriando meu corpo
Tão quente de desejo
Carente do teu beijo

O que sinto por você
É sol de verão
Ardente e braseiro
Envolvendo meu corpo por inteiro
Chamando por você
Querendo só você

O que sinto por você
Lua cheia de mistérios
Iluminando o teu amor
Nos caminhos brejeiros
Por dentro de mim

O que sinto por você
É fogo de fogueira de São João
Labareda incandescente
Queimando o meu corpo tão ardente
Ardente de desejo
Ardente por teu beijo

O que sinto por você
É lava de vulcão
Fervilhando, ardendo em brasa
Explodindo cá dentro do meu peito
Queimando por você
Todinha por você


Alegria Triste

A vida é dor
É ilusão, é fantasia
O coração se defende
Na emoção
Com riso, sedução
Sexo e paixão

O riso
Companheiro do humor
Debocha das dores da vida
É a compressa
no meu coração ferido

A sedução costumeira
Se vinga da solidão vazia
Que ronda
meus dias sombrios

O sexo fácil é fachada
Da saudade
De ti, de nós
É o avesso
Da sua presença
marcada em mim

A paixão é voraz
Queima meu corpo e minha alma
É o alimento que mistura
Prazer e dor

Mas quando me olho
O que vejo
São olhos tristes
Disfarçados de alegria
De bar e de cerveja


Meu Amor Derradeiro

Meu amor derradeiro
É você
Espalha-se pelo corpo
Como água corrente
Em todos os poros
Lavando minha alma

Esse amor derradeiro
Não tem tempo
Porque é o tempo inteiro
Não tem pressa
Porque é preguiçoso
Não tem medo
Porque tem ancoradouro

Assim é esse amor
Que sinto por você
Amor de hoje e de sempre

Abençoado amor
Esse amor derradeiro

sábado, 19 de abril de 2008

VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA – A PIOR DAS VILANIAS

Esperei a confirmação do que as aparências indicavam para manifestar minhas emoções. Por uma questão de convicção, não gosto de acusar ninguém sem que haja evidências de sua culpabilidade.
A reação nacional à morte da pequena Isabella é uma lavagem da nossa alma.Trata-se de uma morte cujos presumíveis assassinos são o pai e a madrasta de uma criança indefesa e praticada de maneira cruel e em articulada e criminosa parceria. O que ela sofreu naquela noite foi uma caminhada para a morte, com sessões contínuas de tortura. Esta morte nos horroriza e expõe a nossa humanidade, já tão desumanizada nestes tempos de insensibilidade generalizada. Não faço distinção entre quem é o maior responsável pela morte de Isabella, pra mim os dois são culpados, sendo o pai, por ser o pai, de fato, o maior culpado. Seja porque sua preocupação principal foi tentar ocultar a responsabilidade da mulher ao jogar pela janela a menina, quando imaginou que ela já havia morrido ao invés de gritar por socorro pra sua filha agonizante. Seja porque resiste a contar a verdade pra assumir a culpa por esse crime hediondo. E, sobretudo, pelo já comprovado pericialmente: que foi a queda que provocou a morte dessa pequena inocente.
Nesses vinte dias, sofri muito e sofro ainda, chorei e ainda choro, tive pesadelos, noites dormindo pouco, pensando na condição humana de bestialidade a que chegou o chamado ser humano. Não encontro respostas satisfatórias, mais uma vez, frente a este fato, para a pergunta que já me fiz muitas vezes na minha vida: o que de mais cruel habita potencialmente as mentes e corações de adultos que os levam a cometer atos tão violentos contra as crianças? E, em especial, meu Deus, o que pode explicar que pessoas que supostamente amam suas crianças as maltrate costumeiramente, levando-as até a morte? Como a família, que deve ser o lugar da proteção e da segurança infantil, pode se transformar no território da ameaça, da crueldade e até da morte. Por quê? Por quê?
Tenho buscado, dentro de mim, alguma explicação, à medida que vou sendo testemunha, nesses tempos macabros que vivemos, da violência contra as crianças, pelo nosso planeta afora. Uma das explicações que penso ter peso significativo, tem a ver com essa invencionice estúpida que os pais e/ou responsáveis podem agredir fisicamente os filhos, em nome de uma suposta educação. Onde surgiu isso, esse considerado direito? Em nome de qual teoria foi ele legitimado? Pergunto: qual o limite do tipo e dosagem que a utilização dessa ação covarde pode ser consentida, tolerada? Enfim, qual o real sentido do uso desse expediente agressivo senão fomentar na convivência com as crianças a cultura do medo, da opressão, em razão dos laços de pátrio poder, de responsabilidadesl pelas mesmas. Continuo especulando: o que é permitido nessa ação paterna/ materna? Somente puxar as orelhas, dar um tapinha nos ouvidos, uma sacudidela, um empurrãozinho? Ou também uma surra com cinturão do pai, com uma corda da mãe, um chinelo de ambos, uns tapas mais contundentes nas caras infantis, uma violenta puxada de cabelo, uns chutes no seu corpo?
Ora, meus caros, vamos convir, que bater ou não em alguém, é ou não é lícito. A classificação desse ato em graduação ou pós-graduação em violência, é conversa pra boi dormir. Sou e sempre fui radicalmente contra essa história de que criança deve apanhar pra ser melhor educada. Penso ser este o maior atestado da incompetência do ato de educar; é, também, a expressão da morada nos recônditos violentos dos pais que assim agem, da sua porção violenta, da resposta, através dos filhos e/ou parentes, às suas necessidades agressivas, descontando nos mesmos suas frustrações, sua vontade enviesada de bater em outros adultos, enfim, do extravasamento dos seus desejos de agressão. Afinal, esse alvo infantil não lhes causa nenhuma ameaça nem a possibilidade de alguma reação. Porque, sobretudo, contam com o silêncio da vítima que, por temor e por conta das recomendações ameaçadoras do agressor, não denuncia a ninguém sua condição de vítima na sua própria família.
E tem mais: a violência dos pais com os filhos se reproduz indefinidamente, pois, os filhos agredidos serão pais violentos e, assim por diante. É o palco mais eficiente de escola de violência.
Por tudo isso, essa é a maior das vilanias. Aquela de mais difícil enfrentamento. Por vezes, escondida e silenciosa. Nos quartos e salas de todas as classes sociais. De todo tipo de gente. Das também pessoas gentis e educados fora de seus lares. Dos que praticam credos religiosos de todo tipo. Dos que são adeptos de teorias revolucionários a favor dos explorados e oprimidos. Enfim, desse chamado ser humano que tem em casa um laboratório disponível, cujo pré-requisito é tão somente ter, adotar filhos ou cuidar de crianças por esse mundo sem Deus.
Denunciemos nossos vizinhos, desconhecidos e até nossos conhecidos, se por ventura identificarmos que uma criança, sob sua guarda, corre perigo. É o mínimo que podemos fazer para o enfrentamento dessa covarde vilania. E, em defesa efetiva dessas crianças.
De minha parte, estou envergonhada da minha espécie. E choro por todos nós, os seres ditos humanos.

sábado, 12 de abril de 2008

DE FILHA DE MARIA A FILHA DE IANSÃ

Não tenho religião, mas aprecio a religiosidade e sou, digamos assim, espiritualista. Uma marxista espiritualista. Deu pra entender? Esta questão está sempre presente em minha vida como algo que me interessa enquanto um componente de estudo da Antropologia, e também como significado da religião na vida das pessoas ou expressão das emoções humanas.
De todas as religiões que pude conhecer ou ter contato com seus adeptos ao longo de minha vida, as de origem africana foram as que mais me sensibilizaram, penso que por conta de suas expressões e de seus rituais muito ligados à natureza, aspecto que me fascina em muitos territórios da vida.
No entanto, nem sempre pensei e senti dessa maneira. Séculos atrás, quando fazia o antigo ginásio em regime de internato, em colégio das freiras Dorotéias, irmandade muito chique da minha terra natal, o mesmo colégio onde estudou minha amiga Josefa Baptista Lopes, cheguei a ser filha de Maria, simbolizado numa fita azul em volta do pescoço, sinal de que eu prometia no futuro ascender nesse terreno religioso. Ao mesmo tempo, já apresentava os primeiros sinais de minha rebeldia, traço genético de minha personalidade. Implicava com alguns dogmas dessa religião. Por exemplo, a história de Cristo não ter nascido do ventre da Santa Virgem Maria e, sim, via Divino Espírito Santo, que vinha a ser uma pomba, assunto já abordado em crônica aqui, postada tempos atrás. Achava essa versão, no mínimo, um conto infantil. Também já me rebelava com a condição de castidade imposta aos padres, que não podiam se casar, soando aos meus adolescentes ouvidos como uma espécie de repressão sexual.
Tempos depois, já adulta, compreendi que aqueles sinais já anunciavam o meu futuro de transgressora bio-psico-social...e sexual ..rs.
Quando tive meu primeiro contato com a religião afro, eu achei um barato, aquele ritual alegre, as danças dos orixás, lindas e sensuais, aquele sentido de ajuda sem imposições, enfim, tudo isso me seduziu. Mas já lhes disse aqui nos meus escritos anteriormente que, à medida que vou vivendo, mais estou convicta que tudo é uma mistura geral, uma “metamorforse ambulante” , portanto, uma geléia ampla, geral e irrestrita. Quem não muda nada, já morreu, por dentro.
Mas, apesar dessa atração pela religião afro, não me filiei à mesma porque sou, de certa forma, meio como quê, infiliável, não gosto muito de ter que fazer isto ou aquilo, gosto da liberdade de aderir a, quando bem me der na telha. Daí, por vezes, vou a lugares onde a proposta é de sincretismo, uma mistura de catolicismo com espiritismo e com afro e com mais alguma coisa. Foi numa dessas minhas experiências que a Mãe de Santo de uma Casa dessa natureza aqui no Rio, deu a mim o sinal que eu sou Filha de Iansã, coisa aliás que eu já descobrira em outros paragens, já tinha lido sobre Iansã, a rainha dos ventos e tempestades, e me identificava com essa senhora orixá. Contudo, reitero, a minha ligação é pra ser do meu jeito, sem pré-requisitos e sem obrigações. Quando a Mãe de Santo referida completou, me dizendo: “você está pronta pra ser uma das nossas”, eu literalmente fugi, morrendo de medo das implicações dessa sinalização.
Penso que não sou chegada a ser uma religiosa formalmente, já pensaram eu atuando como integrante de um terreiro de umbanda, que prefiro à candomblé, aliás, não sei bem porquê, dançando, dando passe, tudo que implica essa religião, não me parece que levo muito jeito. Ou sim? O que vocês acham?

sábado, 15 de março de 2008

O QUE FOI FEITO DE NÓS? O QUE SOBROU DE NOSSOS SENTIMENTOS?

Hoje estou em paragens sombrias, manifestando-se em mim um outro lado meu, talvez o Lado D, de desilusão total. O meu sentimento é de muita tristeza e de desgosto comigo, com meus semelhantes, em relação à degradação contínua de nossas relações, dessas relações tidas como humanas. Ainda, pra combinar com o meu estado, chove muito e faz frio, depois de muito tempo, nesta cidade que teima em ser maravilhosa.
Será que estou exagerando? Ao final deste texto, por favor, me digam.
Vocês também identificam no dia a dia, sobretudo, no ambiente do trabalho, relações cada vez mais frias, distantes, individualistas, sem solidariedade? Já lhes aconteceu de saberem, de chofre, que uma colega de trabalho, faleceu há mais de um mês e vocês nem sabiam que ela estava prestes a nos deixar? Ou, que um outro colega, dos mais antigos, perdeu sua companheira de muitos anos, sem que vocês também soubessem que tal pessoa estivesse doente a esse ponto? Quase ninguém soube à época das mortes. Que coisa horrível! Que vergonha deveríamos sentir de coisas desse tipo acontecerem perto de nós e de, a um passo, poderem também ocorrer conosco.
Hão de convir que fatos como esses são muito graves e estão pipocando por aí, talvez em todos os lugares, de alguma forma, como sintomas graves de nosso fracasso como seres ditos humanos, como resultante de mil razões que nós os ditos intelectuais, defensores dos desvalidos e oprimidos, nos arrolamos o papel de especialistas em diagnosticá-las.
Uma questão séria são as chances de se viabilizar um projeto ético-político X ou Y se os seus atores enfrentam sérios empecilhos na convivência no trabalho, cuja existência dos mesmos não é de sua inteira responsabilidade, é verdade, mas o seu enfrentamento é, sim, da sua alçada, no mínimo, amenizando essas dificuldades para se proteger contra esse tipo de mundo atual. Como disseminar a mensagem da transformação social, se nesta devem fazer parte, necessariamente, os ingredientes da solidariedade, da compaixão, do interesse pela vida do outro, se ele está bem ou não, se no caso, não está, literalmente, às voltas com a morte, o contraponto, afinal, daquilo que consideramos o bem maior, a Vida? Como, meus amigos, transformar o mundo, esse tal mundo destruidor da vida de milhões, se dentro de nós, à nossa volta, não cultivarmos sentimentos germinadores desse amor maior pelas multidões? Como será possível?
Pra amenizar um pouco o tom da minha dor interna, deixem eu lhes contar um fato que, de outro prisma, ilustra bem a degradação das condições materiais de existência, e que também vivi no trabalho, ou melhor, num banheiro do meu local de trabalho. Como o sabonete é um produto absolutamente indisponível em instituições do tipo e, como gosto de lavar as mãos com tal produto, resolvi há uns tempos atrás, levar um sabonete de tamanho normal pra durar mais, já que levava sempre aqueles pequenos que guardava dos hotéis, com tal finalidade. Eis que ao retornar ao mesmo banheiro, umas duas horas depois, cadê o sabonete? Cheguei a duvidar da minha memória, uma estratégia nada fora de cogitação porque ando mesmo meio desmemoriada, que até pode ser um jeito de agüentar esse viver. Mas, uma semana depois, levei outro sabonete do mesmo tamanho e não é que aconteceu o mesmo sumiço. Não precisamos fazer nenhuma análise, não é mesmo?
Frente a esses episódios, não sei o que fazer.Vocês podem me ajudar?
A verdade, meus caros, é que os corredores institucionais em nada se diferenciam das calçadas das ruas das cidades grandes, eles se transformaram em passarelas de uma sala pra outra, onde as pessoas que trabalham naquele local, algumas que até já foram muito amigas, se cruzam, emitem ( ou não) um cumprimento formal, inaudível, e seguem adiante...como se fosse um ato super natural. Não vou aparecer aqui como diferente, eu não tenho vontade de falar com ninguém dessa maneira, é melhor que não nos falemos mesmo.
Mas, vou confessar pra vocês uma verdade interna: eu sofro com isso, eu me sinto mal. Ingenuamente, numa luta interna de crença/descrença, talvez ainda pense ou me esforce pra pensar como Brecht: ”que nunca se diga isso é natural”...


sábado, 8 de março de 2008

O CHIBATÔDROMO

Como vocês sabem, não ando muito bem do juízo, o meu Lado C está em plena erupção – aquele lado totalmente livre, solto, inconseqüente.
Nessa onda, ando pensando muito nos últimos tempos sobre a necessidade de ser criado em nosso país, o Chibatôdromo, uma espécie de reedição modernizada do Coliseu da Roma antiga, com propósitos diferentes, é claro, dadas as premências que esses chamados tempos modernos nos impõem na atualidade. O meu objetivo é outro: usar um instrumento eficaz e que possa sanear, de vez, a crueldade da ação dos infratores/matadores do trânsito. Duvido muito que haja alguém que dirija (ou não) que não tenha tido inúmeras vezes a vontade de literalmente esganar algumas personagens que dirigem por aí, por exemplo, motoristas de ônibus e, por vezes, taxistas além de muitos não santos mortais.
Como seria esse Chibatôdromo? Como o próprio nome indica, construiríamos um lugar tipo um teatro de arena ou ginásio de esporte, onde seriam aplicadas chibatadas, ao pé da letra, nessa turma incontável de pequenos, médios e grandes infratores/criminosos do trânsito. Haveria o funcionário público chamado chibatador com um salário decente e escolhido mediante critérios bem práticos: boa índole, porte físico adequado, bem nutrido, uniformizado e tendo como objeto de trabalho uma chibata de couro resistente e bem cuidada, dentro de um guarda-chibata bem chique.
Seria criado o Código do Chibatôdromo, algo mais ou menos assim, em termos de aplicação das chibatadas, com treze artigos porque, afinal, é o meu número de sorte:
1°- 100 chibatadas para quem matasse 1 pessoa em acidente, acrescida de doação do veículo, fosse seu ou não, para a família da vítima, e perda definitiva da carteira.
Parágrafo Único - Para cada pessoa a mais que morresse vitima do acidente, teria o acréscimo de mais 20 chibatadas.
2°- 90 pra quem provocasse seqüelas graves definitivas, sempre com o mesmo acréscimo do item n° 1: mais chibatadas se atingisse mais gente, apreensão do veículo e perda da carteira.
3°- 80 pra quem provocasse seqüela grave temporária, acrescida de 10 chibatadas pra mais alguém atingido e perda temporária da carteira e do veículo por vinte e quatro meses, ficando este com a família da vitima, se fosse a vontade desta.
4°- 70 se alguém destruísse o veículo de outrem sem vítima, ainda que tivesse seguro, além da apreensão da carteira por 8 meses.
5°- 60 se fosse pego dirigindo embriagado, mais a apreensão do carro por três meses e da carteira por seis meses.
6°- 50 se dirigisse em contra-mão e apreensão da carteira por seis meses.
7°- 40 se dirigisse sem carteira, apreensão da carteira por quatro meses e, em caso de menor de dezoito anos, as chibatadas seriam dadas ao pai, mãe ou responsável.
8°- 30 se dirigisse em velocidade acima da permitida e apreensão da carteira por cinco meses.
9° - 20 se ultrapassasse sinal vermelho e apreensão da carteira por três meses.
10°- 15 se cortasse em direção errada o veículo de alguém.
11°- 10 se dirigisse com carro sem condições de segurança.
12°- 10 se buzinasse de maneira estridente em local e/ou horário proibido.
13°- 5 se xingasse ou ameaçasse com ações o motorista ao lado.
Parágrafos Especiais:
& 1°- Os motoristas de ônibus e de caminhões, além das chibatadas, teriam em qualquer das situações, exceto os itens 12 e 13, suas carteiras cassadas definitivamente.
& 2°- O Chibatôdromo funcionaria como espetáculo público, com ingresso simbólico, cuja renda seria destinada a programas de educação no trânsito
& 3°- Todos os infratores teriam seus rostos e currículos afixados em lugares públicos e divulgados na imprensa escrita, falada, televisada e internet, para que não se aventurassem mais a cometer tais delitos.
& 4°- O Chibatôdromo teria o tempo de funcionamento experimental de 12 meses, findo o qual, seriam medidos os índices de redução das infrações de trânsito.Se o índice fosse no mínimo 90%, seria dada à população 12 meses de oportunidade para a mudança definitiva dos comportamentos nocivos no trânsito. Caso contrário, chibatadas de novo...

Cá pra nós, embaraços à parte, o Chibatôdromo não resolveria a violência do trânsito
?

sábado, 1 de março de 2008

O QUE ASSUSTA PODE ATRAIR E... ATÉ VICIAR

Podem acreditar, eu era mais feliz quando era mais simples e... mais pobre. Sei que a segunda parte da frase é uma afirmação horrível pra alguns ou muitos de vocês, principalmente os intelectuais que são muito chegados à opção preferencial pela pobreza (embora eu nunca tenha acreditado nessa conversa ilusionista). Pois bem, meus amigos.Vou lhes dar um exemplo dessa minha conclusão. Tempos atrás, fiz uma crônica chamada Lado B que se traduzia em explorar o meu lado mais leve, com preocupações mais existenciais. Este texto aqui pelo seu conteúdo se encaixa no meu Lado C, aquele esquisito, doidão, bizarro. Como veio à tona esse lado? Esses lados vêm ou não à tona, isso não é bem direcionado pela nossa vontade que alguns pensam que tudo pode, mas por alguma ocorrência, algum sinal ou motivação que nos toca mais fundo.
De novo, a TV na minha vida, é isso mesmo, eu gosto muito de TV, de um filminho, de um noticiário básico, de documentários os mais variados e, mais recentemente, dessa temática esquisita, qual seja as catástrofes passadas e futuras da natureza. Neste último caso, me descobri atraída por esse assunto, por acaso.Comprei no segundo semestre de 2007 um daqueles pacotões de filmes e outros programas da NET e HBO e testando vários deles me deparei com o canal 82 The History Channel. Olhem, achei um barato e fiquei fissurada, dependente mesmo. São sinalizações demonstradas por cientistas os mais renomados. Aqueles caras com cara de louco que de tanto conviverem com tais possibilidades já têm o cabelo em pé, os olhos esbugalhados, as mãos agitadas, enfim aquele perfil que em si mesmo já nos apavora. Apresentam continuamente o panorama trágico do que vai ocorrer em determinadas regiões do planeta.São erupções de vulcões, terremotos, maremotos, furacões, destruição em massa, cidades que vão desaparecer como Tóquio, regiões que vão deixar de existir e mais e mais desgraças.Tudo muito explicado e justificado cientificamente, repito. A perfeita “volta do cipó no lombo de quem mandou dar”, como dizia aquela canção "Arueira"de Geraldo Vandré. A mãe natureza que já tem seu lado cruel nas suas entranhas, quando continuamente maltratada pelo homem vai ficando cada vez mais enfurecida e dá o troco mortal.
Vocês a essa altura se perguntam, mas essas catástrofes não vão ocorrer em águas do Pacífico, em terras do Atlântico norte, em regiões orientais, por que você fica tão mobilizada se nosso país está resguardado desses grandes anúncios,a ponto de se viciar com essas noticias e cultivar essas imagens terríveis no seu sagrado lar? Eu respondo a vocês de uma maneira direta: só pode ser minha cabeça de marxista com essa mania de me preocupar com o futuro da humanidade, resquícios da idéia de revolução internacional, só pode ser isso. Fico imaginando aquelas multidões sendo esmagadas e tragadas pela água, pelo fogo, pela terra, um horror. E, esteticamente, aquele montão de destruição. Uma calamidade!
Mas, eu gosto por demais desse canal 82, como diriam os mineiros. Estou viciada, afinal provoca uma espécie de alucinação.Vejam só no que me transformei. Culpa do Lula e de seus companheiros. Pra terminar, diria como ele: Nunca nesse país pude ter um gosto tão bizarro, tão maluco, ao invés de me preocupar com a revolução permanente.
Vou finalizar agora este texto porque daqui a pouco vai passar um programa sobre o vivido furacão Katrina e seus efeitos terríveis, vou ligar a telinha e curtir minha maluquice.
Garanto que parte de vocês está super curioso e penso que terei uns concorrentes. Ou não?

sábado, 23 de fevereiro de 2008

QUE PAÍS É ESTE ? SOMOS TODOS CORRUPTÍVEIS?

Penso que para conhecer e entender mais profundamente nosso país e nosso povo, é preciso vê-los como se fossem nossa infância, ao pé da letra. Vejam bem o que quero dizer: não é na infância que se forma nosso caráter? Não é nela que ficam as marcas mais arraigadas e que moldam nossa personalidade? Não precisamos ser psicanalistas pra termos essa compreensão. É apenas uma questão de melhor conhecimento de nossa história.
Olhem, meus leitores, a culinária mais perfeita é a que mistura os ingredientes marxistas com os psicanalistas. Principalmente, pra explicar o passado de um povo, de um país, de uma pessoa. Atenção meus queridos amigos marxistas, sem preconceitos com esta afirmação! A vida é uma mistura mesmo, de tudo, queiramos ou não.
Mas, voltemos ao nosso passado, assunto que quero tratar agora, sobre a origem e formação de nosso país. Afinal, nós realmente sabemos quais são os reais traços constitutivos de nossa cara, de nossa cabeça, tronco e membros?
Olhem bem, pra chegar às respostas a essas perguntas, não tem muito segredo, não. Basta que recorramos à memória de nossa formação, só precisa que voltemos aos tempos coloniais, que nos debrucemos sobre os primeiros traços de manifestação de nosso caráter enquanto povo, às marcas que nos formaram e nos acompanham até os dias de hoje. É aqui que precisamos encarar de frente os nossos patrícios, os queridos ou não, portugueses da gema, os verdadeiros formadores de nossa nacionalidade brasileira. A começar, vamos lembrar ou reconhecer os reais motivos da vinda desses cabras pra nossas paragens e de sua efetiva contribuição pra nos fazer tal qual somos na atualidade.
A partir dessa introdução, para alguns de vocês ou para muitos, um tanto quanto fora de época e de propósito, vou lhes contar o que me motivou escrever essas mal traçadas linhas. No início da noite da última quinta feira, estava eu procurando na TV um noticiário, quando ao sintonizar determinado canal, as manchetes eram as de sempre: roubalheiras no setor chamado público. Desgostosa com tais informações tão repetidamente espalhadas pelo país inteiro, mudei de canal. Aí foi pior: o apresentador já estava relatando uma notícia sobre a tão famigerada corrupção nos rincões brasileiros. Pensei cá comigo, vou esperar esta notícia passar que talvez venha algo mais original. Eis que vieram mais três casos na mesma linha, um roubo aqui, uma falsificação ali, uma quadrilha acolá. Aliás, lugar comum. Não tive outra opção pro meu estômago já tão embrulhado: desliguei a TV e fiquei matutando a respeito.
Lembrei-me, a propósito, que cerca de uns dois anos, tive acesso a um ranking de honestidade em terras européias e latino-americanas. A Itália e alguns países co-irmãos continentais, entre eles, o Brasil e o Peru, estavam entre aqueles onde honestidade era uma habitante minoritária. Os paises escandinavos, ao contrário, figuravam entre os campeões de honestidade, tendo à frente a Dinamarca. No mesmo momento, veio à minha lembrança uma pesquisa, penso que realizada em 2006 pelo IBOPE, que apresentou como conclusão o índice de 70% de brasileiros situados no campo dos corruptos, corruptores ou corruptíveis. E vejam bem: corrupção encarada não apenas como roubar dinheiro público, mas ações, posturas, comportamentos do cotidiano que espelhavam o nosso caráter desonesto frente às nossas ações do cotidiano. Desde furar filas, solicitar privilégios, aceitar favorecimentos ilícitos ou não, dar propina, enfim, a famosa lei do Gerson: tirar vantagem em tudo.
Daí, meus caros, fiz a conexão com o período colonial e lá tudo isso estava posto: a relação com o chamado bem público, a privatização do Estado a serviço do favorecimento do privado, todas essas coisa que aqui estão até o presente.
Fiquei pensando se essa é realmente a feição dos países onde o Estado foi criado antes da sociedade civil e esta se amoldou ao mesmo, como no caso brasileiro. Diferentemente de países onde foi a sociedade que constituiu o Estado e este foi desenhado de uma maneira mais propícia ao controle social. Ou então, o ser humano como espécie é corruptível geneticamente? A corrupção não está em todos os rincões e conformações humanas: religião, política, profissões, em todas as ações humanas? A condição corrupta não será apenas uma questão de oportunidade, de proximidade com as possibilidades de “acesso” aos bens públicos, aos privados bens de outrem?
Seja o que for, o meu sentimento é de total desconfiança com a possibilidade de mudança nesse terreno. E não me venham com essa conversa pra boi dormir que os políticos profissionais é que são os corruptos, como se eles não fossem parte do povo. Ou ainda, como se o povo ao eleger costumeiros corruptos, não fosse tão corrupto quanto, ao certificar pelo voto a trajetória e interferência dos ditos cujos na ação pública de apropriação dos bens públicos. Ou o mais simples, como se a geradora de todo e qualquer corrupto não fosse a barriga do povo. Mesmo quando ela é uma barriga de aluguel.
Enfim, meus caros, falei bobagem? Ou o mais grave, falei alguma inverdade? Ou ainda, existe mesmo essa invencionice denominada de bens públicos?